Formule a pergunta em voz alta ou por escrito, escolha quantas runas quer tirar e sacuda o saco. As runas caem viradas para baixo e só depois se abrem, uma a uma, como na mesa de pano.
Vinte e quatro sinais, divididos em três grupos de oito - os ættir. A ordem não é alfabética nem arbitrária: é a ordem em que as runas foram gravadas nas pedras, e ela mesma conta uma história, do gado ao testamento. Clique em qualquer uma.
Ætt de Freyro mundo material, o que se ganha e se guarda
Ætt de Hagalas forças que não se controlam e o que elas ensinam
Ætt de Tyro homem entre os homens: laço, justiça e herança
Nove das vinte e quatro são iguais de cabeça para baixo e por isso não se invertem: ᚷ Gebo, ᚺ Hagalaz, ᚾ Nauthiz, ᛁ Isa, ᛃ Jera, ᛇ Eihwaz, ᛊ Sowilo, ᛝ Ingwaz, ᛞ Dagaz.
O que são as runas
Antes de serem um oráculo, as runas foram uma escrita. Os povos germânicos as usavam do século II ao XII para marcar propriedade, assinar joias, gravar túmulos e lançar maldições - em pedra, osso, madeira e metal, com traços retos porque traço curvo não se talha bem na fibra da madeira. O alfabeto se chama Futhark pelas seis primeiras letras, como o nosso se chama alfabeto por alfa e beta.
O uso adivinhatório está documentado desde cedo. Tácito, na Germania, escrita por volta do ano 98, descreve germanos que cortam um ramo de árvore frutífera em pedaços, marcam cada um com um sinal, espalham tudo sobre um pano branco e retiram três, interpretando os sinais. É a descrição mais antiga que temos, e é notavelmente parecida com o que se faz hoje.
Seja dito com honestidade: entre aquele relato e os manuais modernos há um vão de mil anos. O sentido de cada runa aqui vem sobretudo dos três poemas rúnicos medievais - o norueguês, o islandês e o anglo-saxão -, que dão para cada sinal uma estrofe curta e enigmática, e da leitura que o século XX fez deles. Não existe um livro antigo com "o significado das runas": existe um punhado de versos e muito trabalho de interpretação por cima.
Como se consulta
A pergunta. As runas respondem mal a "sim ou não" e bem a "o que" e "como". Em vez de vou conseguir o emprego?, pergunte o que pesa nessa candidatura?. A pergunta feita com cuidado já é metade da leitura.
O saco. Tradicionalmente as runas ficam num saco de pano ou couro. Você põe a mão dentro sem olhar, sacode, e retira quantas o método pedir, dispondo-as da direita para a esquerda - o sentido em que se escrevia.
A posição. Cada lugar da tiragem tem um sentido fixo, e é ele que transforma um punhado de símbolos numa frase. A mesma runa quer dizer coisas diferentes no lugar do obstáculo e no lugar do auxílio.
A inversão. Quinze das vinte e quatro runas têm cabeça e pé, e caem de um jeito ou de outro. Invertida, a runa não vira o seu contrário: ela mostra o mesmo assunto emperrado, mal empregado ou em falta. As outras nove são simétricas e não se invertem - quando saem em contexto pesado, a tradição diz que estão em silêncio, e é assim que elas aparecem nesta mesa.
As três tiragens desta mesa
A runa única
Uma só, retirada depois da pergunta. É a leitura de todo dia e a melhor para quem está começando: obriga a extrair tudo de um único sinal, em vez de montar uma história com muitos.
As três Nornas
As três fiandeiras que, ao pé da árvore do mundo, tecem o destino. Urðr é o que já foi feito e não se desfaz; Verðandi é o que está acontecendo agora, ainda maleável; Skuld é literalmente "o que se deve" - não um futuro fixo, mas a dívida que a situação vai cobrar.
A cruz de Odin
Cinco runas: a questão como ela é de fato, o obstáculo que a trava, o auxílio de que se dispõe, o que está oculto por baixo e o desfecho para onde tudo aponta se nada mudar. É a tiragem para decisões que já foram remoendo tempo demais.
Uma palavra sobre o abuso do símbolo
Duas runas deste alfabeto - Sowilo e Algiz - foram apropriadas pelo regime nazista alemão, que usou a primeira dobrada como insígnia da SS. Isso não é história das runas: é história do século XX, e é um roubo. Vale saber para não se assustar com a semelhança e para não deixar o símbolo sequestrado. Sowilo é o Sol dos povos do norte há dois mil anos.
O que este oráculo não faz
Não decide por você, não autoriza e não exime. As runas descrevem a qualidade de um momento e a direção em que ele tende. A escolha continua inteira nas mãos de quem perguntou - e é justamente isso que Nauthiz, a runa da necessidade, insiste em lembrar.